O que são vacinas?

As vacinas são substâncias que contém um agente patogénico capaz de provocar doença. Este agente pode estar morto ou enfraquecido, de modo a não provocar doença no hospedeiro. A inoculação de um agente, nestas condições, é responsável por estimular o sistema imunitário a produzir anticorpos que conferem imunidade contra o agente. Graças a isto, é possível perceber que as vacinas são uma das melhores armas profiláticas disponíveis nas áreas da saúde. (1)

Tipos de vacinas e respetiva formulação: 

As vacinas podem ser desenvolvidas a partir de microrganismos vivos atenuados (vacinas vivas atenuadas) ou inativados (vacinas inativadas), toxinas inativadas (toxóides) ou segmentos de um agente patogénico, sendo este último tipo denominado de vacinas de subunidades ou conjugadas. (2)

Um dos métodos mais comuns para elaborar vacinas vivas atenuadas virais, envolve a inoculação do vírus em culturas celulares ou embriões (ovos, p.e.) de forma progressiva, até que o agente perca a capacidade de se replicar em células vivas, não provocando doença mas sendo ainda capaz de ser reconhecido pelo sistema imunitário. Uma vez atingida esta condição, o microrganismo é passível de ser utilizado como vacina. Este é o tipo de vacina que confere uma imunidade mais duradoura, mas apresenta como desvantagem a possibilidade de ocorrência de mutação no agente utilizado, podendo este torna-se virulento e causar doença (apesar de raro). (3)

Nas vacinas inativadas, para se proceder à inativação do agente patogénico normalmente submete-se o mesmo ao calor, ou realiza-se inativação química com formalina. O objetivo do processo é igual ao anterior: fazer com que o vírus seja capaz de desencadear uma resposta imunitária, sem provocar doença. Como, neste caso, o agente se encontra inativo, não apresenta capacidade de replicação o que leva a uma imunização mais curta. Por esta razão, muitas vezes torna-se necessário incluir adjuvantes na formulação deste tipo de vacina. (3)

Existem ainda doenças provocadas por toxinas produzidas por bactérias, como é o caso do tétano. Para produzir toxóides, utiliza-se a toxina  responsável pela doença, inativada. O processo de inativação da toxina é semelhante aos restantes. (3)

Por último, as vacinas de subunidade contêm apenas uma parte do agente patogénico. Neste caso, procede-se ao isolamento de uma proteína específica do agente em estudo, que irá comportar-se como um antigénio individual e irá desenvolver uma resposta imunitária. Neste grupo de vacinas, inclui-se a vacina recombinante que se pode desenvolver recorrendo a técnicas de engenharia genética. Um gene codificante para a proteína da vacina é inserido num outro vírus, ou em culturas celulares. Quando o vírus hospedeiro se reproduz, ou a célula metaboliza, a proteína é simultaneamente multiplicada. As vacinas recombinantes são produzidas a partir de proteínas estruturais bacterianas que são ligadas a uma proteína de transporte. Isto permite potenciar o efeito estimulante do sistema imunitário. (3)Como medida complementar às vacinas, que provocam uma imunidade induzida, também existe uma forma de conferir imunidade passiva. Esta técnica, ao contrário das vacinas, visa a inoculação de anticorpos em grande quantidade frente a um vírus ou bactéria específica. Os anticorpos atuam imediatamente, no entanto a proteção que conferem é temporária, uma vez que os anticorpos são eliminados pelo organismo e não se produzem novos. (2)

Figura 1. Esquema de produção de vacinas. Fonte: Process Development & GMP Manufacturing. (n.d.). Retrieved March 26, 2020, from https://www.creative-biolabs.com/vaccine/process-development-gmp-manufacturing.htm?gclid=CjwKCAjwguzzBRBiEiwAgU0FT5mfYuSjyQsWqTxiw1EAQWUWrQkd4bht9y3j3fcGAb61mlWzLit7sxoCAU4QAvD_BwE&fbclid=IwAR17ebS41cloGZpedwQk_sEgdrmDvkhG88Z_aGT8lDYmW1jSQLG8TBxY0Lk

Como são testadas?

O processo habitual de produção de uma vacina pode demorar vários anos. Após a componente laboratorial de desenvolvimento da vacina, seguem-se os ensaios clínicos, que também se podem estender por vários anos e dividem-se em 3 fases: (5)

A fase 1, em que a vacina é testada em cerca de 100 indivíduos adultos saudáveis. Nesta fase, pretende-se averiguar se o inóculo é seguro, se aparentemente é eficaz, se existem efeitos adversos graves, e estabelecer uma relação entre a quantidade administrada e os efeitos secundários observados. (5)

Na fase 2, são testados centenas de voluntários. O objetivo desta etapa é determinar quais são os efeitos adversos agudos mais comuns, bem como avaliar a resposta imunitária desencadeada. (5)

Na última fase, que pode requerer a colaboração de milhares de indivíduos, faz-se a comparação entre imunizados e não-imunizados, define-se a segurança e eficácia da vacina, e concluem-se os efeitos adversos que provoca. (5)

A vacina é apenas aprovada se for segura e eficaz, e se os benefícios superarem os riscos. (5)

Vacina para COVID-19: 

A 11 de janeiro, as autoridades chinesas partilharam o genoma do Sars-CoV-2 (vírus responsável pela pandemia COVID-19). A 13 de janeiro, os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH) e a equipa de pesquisa de doenças infecciosas da “Moderna” produziram a sequência do mRNA-1273, a vacina da empresa contra o novo coronavírus. Esta vacina está a ser testada em voluntários de modo a avaliar a sua eficiência e capacidade imunogénica. (4)
Para além deste laboratório, existem muitos outros a trabalhar arduamente para a criação da vacina, a qual aguardamos ansiosamente. Fica atento às notícias de fontes fidedignas e consulta as referências bibliográficas para saberes mais!

Bibliografia:
(1) Basics of Vaccines. (2012, March 14). Retrieved March 21, 2020, from https://www.cdc.gov/vaccines/vpd/vpd-vac-basics.html

(2) Different Types of Vaccines. (n.d.). Retrieved March 24, 2020, from https://www.historyofvaccines.org/content/articles/different-types-vaccines

(3) How Are Vaccines Made and Why Do They Work? (n.d.). Retrieved March 26, 2020, from http://www.pkids.org/immunizations/how_they_work.html?fbclid=IwAR0xg7l1TFlzsr_qbwUP5h7vVIZgMrAnLyWW44jDUnh7oQMZo75HlMxQ51I

(4) Moderna’s Work on a Potential Vaccine Against COVID-19. (n.d.). Retrieved March 26, 2020, from https://www.modernatx.com/modernas-work-potential-vaccine-against-covid-19?fbclid=IwAR3EauAfsXEr103xTcGDIfqM6LwJCBtrzXe1mfwkysDoeGvCYnhY4Gzbo9Y

(5) The Journey of Your Child’s Vaccine (Infographic). (2018, January 26). Retrieved March 26, 2020, from https://www.cdc.gov/vaccines/parents/infographics/journey-of-child-vaccine.html