A maioria dos tutores de animais de companhia considera que manter gatos dentro de casa é mais seguro do que deixá-los sair para o exterior (Coates). Apesar disto se verificar, é necessário adequar o ambiente interior para melhorar a qualidade de vida destes animais e evitar alguns problemas de saúde que podem eventualmente surgir do estilo de vida indoor (Coates)

     Obesidade e Diabetes: 

     Gatos que vivem em ambientes fechados tendem a ser menos ativos (Coates). Isto, juntamente com o acesso constante a alimento, contribui para o excesso de peso, o que favorece o desenvolvimento de diabetes (Coates). Para controlar o número de calorias consumidas pelo seu gato forneça apenas entre duas a três refeições medidas por dia ao animal (Coates). Em vez de distribuir guloseimas, esconda algumas pela casa para o gato procurar (Coates). Incentive o seu gato a exercitar várias vezes ao dia usando, por exemplo, um ponteiro laser ou brinquedos (Coates).

     Quando pretendemos diretamente oferecer alimento ao gato, devemos fazê-lo numa tigela rasa e com um grande diâmetro pois quando o gato se alimenta nas tigelas convencionais, os seus bigodes facilmente tocam nas bordas tornando-se isto um estímulo incomodativo (Rochlitz, 2005).

 

     Doença do trato urinário inferior felino (FLTUD):

     A doença felina do trato urinário inferior (FLUTD) é mais comumente diagnosticada em gatos de meia idade e que vivem em ambientes fechados (Coates). As razões exatas não são claras, mas o excesso de peso, fazer pouco exercício, comer alimentos secos e o stress emocional podem desempenhar um papel no desenvolvimento de FLUTD (Coates).

 

     Ansiedade de separação:

     Os gatos têm a reputação de serem bons animais de estimação para pessoas ocupadas, mas os gatos muito apegados aos seus tutores podem sofrer de ansiedade de separação quando precisam estar sozinhos (Coates). Gatos com ansiedade de separação tendem a ser mais “carentes” quando o tutor está por perto, e quando o mesmo sai, eles podem fazer muito barulho, urinar fora da caixa de areia, vomitar, danificar itens em casa, etc (Coates).

 

     Risco de envenenamento:

     Os tutores de gatos indoor devem ter em atenção a colocação de plantas domésticas, (como lírios, conhecidas por serem tóxicas para os gatos), em locais de fácil acesso pelos animais (Coates). Os produtos de limpeza devem ser adequados para gatos (Coates). O uso de pesticidas em áreas às quais os animais de estimação têm acesso deve ser evitado (Coates)

     No entanto, é necessário também estimular os sentidos do animal (Rochlitz, 2005). Isto pode ser feito enriquecendo a casa com plantas seguras (como erva gateira), tapetes, arranhadores em poste ou parede com diferentes texturas, madeira, entre outras coisas (Rochlitz, 2005). Estes produtos mantêm o gato distraído e permitem um desgaste adequado das unhas (Rochlitz, 2005).

 

     Outras sugestões para enriquecer o ambiente interior da casa:

  • Disponibilizar um local confortável, seco, limpo e sossegado para o gato descansar (RSPCA).

 

  • Facilitar o acesso à caixa de areia e separá-la das áreas de descanso e alimentação do animal (RSPCA). O número de liteiras deve ser igual ou superior ao número de gatos que partilham um mesmo espaço (Rochlitz, 2005). Estas podem ter variadas características: desde caixas abertas a fechadas, com entrada lateral ou superior, retangulares, triangulares, de limpeza manual, e até de limpeza automatizada (Rochlitz, 2005). Assim como ao sabor do patê, alguns gatos adquirem preferências por determinados tipos de areia (Rochlitz, 2005). Existem variados tipos de materiais adequados, sendo aconselhável que os mesmos não possuam um odor forte (Rochlitz, 2005).

 

  • Existem estudos que demonstram que os gatos que têm contacto humano entre a segunda e a sétima semana de vida, têm maior facilidade em se adaptarem ao ambiente interior (Rochlitz, 2005). Também está demonstrado que a relação intraespécie será mais amigável caso os indivíduos sejam familiares (Rochlitz, 2005). Ainda assim, os gatos devem ter acesso a locais que permitam que se escondam quando tiverem medo (RSPCA). Os gatos assustam-se frequentemente com barulhos ou objetos (RSPCA).

 

  • Os gatos utilizam pontos altos para monitorizar a sua envolvente, para isso, é necessário providenciar locais onde possam deslocar-se verticalmente, como parapeitos, prateleiras, estantes, plataformas, entre outros (Rochlitz, 2005). Passam a maior parte do dia a dormir, apesar de raramente ser em estado profundo, e por isso necessitam de zonas confortáveis e tranquilas para descansar (Rochlitz, 2005). No caso de existir mais que um gato na mesma casa, providenciar mais que um sítio de descanso, pois a maioria prefere descansar sozinho (Rochlitz, 2005). De vez em quando, os gatos gostam de ficar fora da vista das pessoas e outros gatos, e para isso devem-lhes ser conferidos locais mais reservados e afastados, preferencialmente com barreiras físicas, onde também possam descansar (Rochlitz, 2005). Tal como referido no ponto anterior, tantos mais locais quanto o número de gatos coabitantes (Rochlitz, 2005).

 

  • Os brinquedos que se assemelham mais a presas naturais ao olho humano não são sempre a melhor escolha (Rochlitz, 2005). Os objetos mais artificiais, mas que proporcionam a vontade de interagir e que até mimetizam os comportamentos das presas naturais, são os ideais (Rochlitz, 2005). Os gatos por norma preferem brincar sozinhos ou com os seus tutores, raramente com os seus semelhantes (Rochlitz, 2005). Uma simples caixa de cartão pode ser o suficiente para entreter o seu animal (Rochlitz, 2005)

 

  • A água deve ser fresca e afastada do alimento (Rochlitz, 2005). Os gatos preferem beber de água em movimento, e em sítios diferentes, para isso podemos investir em fontes de água automáticas e na colocação de múltiplas fontes de água (Rochlitz, 2005). O fornecimento de alimento húmido serve de adjuvante para o correto aporte de água pelo animal (Rochlitz, 2005).

 

     Referências Bibliográficas:

Coates, J. (n.d.). 5 Health Risks for Indoor Cats. Consultado a 15 de novembro, 2019. Disponível em: https://www.petcoach.co/article/5-health-risks-for-indoor-cats/?fbclid=IwAR2xXHPcAxzIhnX_9nF5pG8FouQz0xJfWzypMvpJDlPqpfvqdZ-oggD68vo

Rochlitz, I. (2005). A review of the housing requirements of domestic cats (Felis silvestris catus) kept in the home. Applied Animal Behaviour Science, 93(1-2), 97–109. doi: 10.1016/j.applanim.2005.01.002

Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA) (n.d.). What is a suitable environment for domestic cats? Consultado a 15 de novembro, 2019. Disponível em: https://www.rspca.org.uk/adviceandwelfare/pets/cats/environment?fbclid=IwAR3eaobHhRo2NSwHSV2m7z0azWU69oHlJ_2093TE-pOYFe8l8x5hk3WCelc