Headshaking (HSK), do português abanar a cabeça, é uma condição anormal em equinos que se caracteriza por movimentos da cabeça, sem qualquer presença de estímulos externos óbvios, e que são facilmente confundidos com comportamentos de inquietação ou ansiedade.(4)

       Frequentemente esta síndrome é referida como idiopática, ou seja, de causa desconhecida, mas é sabido que, de um modo geral, ocorre devido à existência de algum grau de neuropatia do nervo trigémeo, por isso esta patologia é comumente designada por trigeminal mediated headshaking. Para além disto, esta síndrome pode também ser desencadeada por estímulos luminosos, passando a designar-se de photic headshaking.(3)

       Os cavalos utilizados em Dressage e Concurso Completo de Equitação são os mais afetados por esta patologia.(4)

       Os sinais clínicos estão presentes principalmente entre o final da primavera e início de inverno e aparecem, na maioria das vezes, enquanto são exercitados. O sinal clínico mais evidente consiste num abanar da cabeça, maioritariamente vertical. É frequente o cavalo inclinar-se para espirrar ou roncar enquanto é exercitado. Quando parado, pode roçar o focinho nos membros anteriores, espirrar ou roncar frequentemente, bater com o focinho nas pessoas que o acompanham, e pode ainda existir ingurgitamento das veias superficiais da face e epífora.(4)

       Esta síndrome é indicativa de falha no bem-estar, visto que provoca bastante desconforto e dor facial ao animal. A evolução desta condição pode chegar mesmo a impedir que o animal seja montado e, uma vez que não existe tratamento definitivo, o cavalo poderá ter que ser eutanasiado.(6)

       Otite, afeções dentárias, osteíte temporomandibular, sinusite, pulgas ou carraças, tumores, hematomas etmoidais e presença de algum corpo estranho são as causas mais comuns para a manifestação dos sinais clínicos supra indicados. Assim, após o exame físico de estado geral, devem ser realizados exames direcionados aos diferentes sistemas/aparelhos que possam estar afetados. Isto inclui, por exemplo, exame oftalmológico, exame auditivo, rinoscopias, endoscopias, examinação das bolsas guturais, tomografia computadorizada ou radiografia da cabeça, entre outros. Para o diagnóstico de photic headshaking o exame dirigido ao animal deve incluir a exposição solar do mesmo com e sem proteção ocular, assim como a avaliação do animal durante a noite, em campo e estabulado. Existe um método de diagnóstico específico para trigeminal mediated headshaking que envolve a estimulação do nervo afetado e requer anestesia por ser um método extremamente doloroso, o que condiciona a sua utilização. O diagnóstico é feito maioritariamente por exclusão de todos os outros fatores. (1),(2)

       Como não existe cura para situações de headshaking, pode ser realizado tratamento sintomático para alívio da dor e/ou desconforto. Para isso, recorre-se à utilização de:

  • fármacos como ciproheptadina ou outros anti-histamínicos;
  • máscaras com filtro UV;
  • rede nasal, que é colocada na focinheira, sobre as narinas do animal, provocando um estímulo não doloroso que modifica a perceção sensorial do cavalo;
  • dietas suplementadas com magnésio, boro e melatonina;
  • estimulação elétrica (estimulação elétrica percutânea do nervo e eletroacupuntura. É possível que no futuro se possa realizar a implantação de dispositivos à semelhança do que é feito em humanos);
  • cirurgia (neurotomia infraorbital bilateral ou ablação caudal do nervo infraorbital com compressor de mola).(1), (5), (6),(7)

       Esta síndrome carece ainda de algum estudo. Provavelmente até ser conhecido o mecanismo fisiopatológico da doença, não se conseguirão fazer muitos mais avanços relevantes no tratamento dos animais afetados. É importante consciencializar os tutores de cavalos para este problema. Um cavalo que abane a cabeça ocasionalmente provavelmente não terá a patologia, poderá ser indicativo de um simples incomodo pela presença de insetos, poderá ser um comportamento estereotipado, etc.

       No entanto, cavalos com headshaking não são tratados com a utilização de embocaduras mais fortes, rédeas fixas ou gogues (para restringir o movimento que faz com a cabeça). Os cavaleiros, ao utilizarem estes equipamentos na tentativa de corrigir um problema aparentemente postural, estarão a agravar o problema de saúde do animal.

Referências Bibliográficas:

(1) Headshaking in Horses: A Sensitive Matter. (2019, January 9). Retrieved from https://thehorse.com/139413/headshaking-in-horses-a-sensitive-matter/.

(2) Hinchcliff, K. W., Kaneps, A. J., & Geor, R. J. (2004). Equine Sports Medicine and Surgery: basic and clinical sciences of the equine athlete. Edinburgh: Elsevier.

(3) Madigan, J. E., Kortz, G., Murphy, C., & Rodger, L. (1995). Photic headshaking in the horse: 7 cases. Equine Veterinary Journal, 27(4), 306–311. doi: 10.1111/j.2042-3306.1995.tb03082.x

(4) Mair, T. S. (2013). Equine Medicine, Surgery and Reproduction (2nd ed.). Edinburgh: Saunders Elsevier.

(5) Pickles, K. (2019). Is Electrical Nerve Stimulation the Answer for Management of Equine Headshaking? Veterinary Clinics of North America: Equine Practice, 35(2), 263–274. doi: 10.1016/j.cveq.2019.03.002

(6) Roberts, V. (2019). Trigeminal-mediated headshaking in horses: prevalence, impact, and management strategies. Veterinary Medicine: Research and Reports, Volume 10, 1–8. doi: 10.2147/vmrr.s163805

(7) Warren, R. (n.d.). Oral Magnesium and Boron Found to Reduce Headshaking in Horses. Retrieved from https://www.vetmed.ucdavis.edu/news/oral-magnesium-and-boron-found-reduce-hea dshaking-horses.