A tuberculose bovina é uma doença infeciosa crónica que afeta principalmente bovinos mas também espécies domésticas, mamíferos selvagens e o Homem. A sua transmissão ocorre naturalmente entre animais e de animais para o Homem, sendo por isso considerada uma zoonose. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019).

 

 

Esta doença está amplamente distribuída em todo o mundo, sendo alvo de programas de erradicação em diversos países.

Mycobacterium bovis produz lesões sob a forma de pequenos granulomas nodulares sendo estes conhecidos também como tubérculos, tendo esta designação estado na origem do nome Tuberculose. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019).  Estes granulomas nodulares são mais frequentemente observados nos gânglios linfáticos (particularmente nos da cabeça e tórax), pulmões, intestinos, fígado, baço, pleura e peritoneu. (Pesciaroli et al., 2014). M. bovis apresenta uma elevada capacidade de proliferar em vários tecidos e órgãos. (Diouani, Mohamed Fethi, 2018)

 

Esta patologia pode ser transmitida de diversas formas, nomeadamente por:

  • Contacto direto com animais infetados, através da inalação de gotículas, em que a bactéria está presente e que são projetadas quando o animal tosse ou no contacto com as secreções nasais. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019);

  • Via aérea ou por ingestão de alimentos contaminados, especialmente o leite não pasteurizado (Diouani, Mohamed Fethi, 2018)

  • Contacto com animais selvagens infetados (Oie.int, 2019)

  • A infeção transplacentária não é comum, no entanto o mesmo não acontece com a galactogénica. A ingestão de leite cru de animais infetados é uma via de transmissão, especialmente importante quanto a animais jovens. (Oie.int, 2019)

 

De forma a controlar a transmissão da doença, foram desenvolvidas estratégias de luta contra esta doença, tais como:

  • Efetuar a pasteurização do leite, pois a bactéria não é resistente a altas temperaturas;

  • Inspeção das carcaças no matadouro;

  • Controlo e inspeção dos alimentos de origem animal (Diouani, Mohamed Fethi, 2018).

 

Fatores como a elevada densidade animal e prevalência no rebanho também contribuem para a transmissão do agente. Quanto maior o número de animais infectados, maior o número de bactérias presentes no ambiente e maior a probabilidade de  contaminação, sendo este um factor que também deve ser controlado. (Oie.int, 2019)

Para evitar a ingestão de leite cru de vacas infectadas, visto esta constituir uma via de transmissão, deve ser feito o consumo de leite devidamente pasteurizado, pois o Mycobacterium bovis é destruído quando submetido a altas temperaturas por tempo determinado. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019)

 

A vida silvestre é outra fonte de transmissão da doença. O maneio deste reservatório levanta questões controversas, no que toca às medidas de controlo a aplicar sendo assim necessário mudanças no comportamento humano. O facto do Homem fornecer alimentos causa controvérsia na sociedade. Primeiramente, é usado para manutenção das espécies, com o caso das iscas legalmente usadas para as épocas de caça. Em segundo, promove contato entre animais sãos e infectados, no acto da alimentação, levando ao aumento do potencial de transmissão de tuberculose, embora ainda não haja estudos suficientes.

 

Sinais Clínicos

Após contacto com a doença, esta evolui de forma lenta e nem sempre exibe sinais clínicos. Por vezes, decorrem meses ou até anos entre o momento da infeção e a manifestação dos primeiros sintomas, sendo pouco específicos tais como: prostração, falta de apetite, dispneia, febre oscilante, diarreia e, em casos mais avançados, poderá ser observada uma tosse seca intermitente. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019)

 

Os sinais clínicos de tuberculose em bovinos são raramente observados em países desenvolvidos, devido aos rigorosos protocolos de vigilância, associados aos programas de controlo e erradicação da tuberculose. No entanto, os custos associados a casos positivos continuam a ser elevados, mesmo nos países desenvolvidos (Ring, Purfield, et al, 2019)

 

A bactéria também pode permanecer no seu estado latente, não levando à expressão da doença e impossibilitando a visualização dos sinais clínicos. (Oie.int, 2019). Este modo particular de evolução da tuberculose, aliado ao facto de ser uma doença contagiosa, explica a possibilidade de um animal infectado puder transmitir a doença a outros animais antes da sua morte sem desenvolver quaisquer tipo de sintomas (Dgv.min-agricultura.pt, 2019).

 

 

Diagnóstico

O teste mais utilizado, em bovinos, para diagnóstico in vivo da tuberculose é a prova de intradermotuberculinização, O princípio do teste de tuberculina consiste na injeção intradérmica de um derivado proteico purificado (PPD) que levará a um aumento de volume nesse local permitindo após um certo período concluir se o animal está infetado ou não através da medição da resposta imunitária do animal ao M. bovis podendo ser realizada de três formas: caudal, cervical simples ou cervical comparada. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019)

 

Nos testes de intradermotuberculinização caudal e cervical simples uma reação positiva poderia ser caracterizada pela magnitude do aumento de volume e rubor da região. Segundo dados da Universidade de Michigan, de 100 animais testados, 5 serão considerados como positivo sem estarem infectados (falso positivo) e este número será maior em rebanhos onde a exposição ao M.avium ou ao M. paratuberculosis é maior. (Milkpoint.com.br, 2019). Tendo em conta a ocorrência de falsos positivos no teste caudal e cervical simples, o teste cervical comparativo passou a ser usado como rotina em Portugal reduzindo a possibilidade de reação não específica com o M. avium. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019).

No teste cervical comparativo, faz-se uma tricotomia de duas áreas quadriculares da tábua do pescoço do animal, onde são realizadas uma prega de pele e suas medidas com recurso a um cutímetro. De seguida, é injetado o PPD aviário e bovino. Decorridas 72 horas após a administração, a espessura das pregas são novamente medidas e a diferença entre as primeiras medições é mesurada.

 

Falsos negativos são um problema quando avaliamos a performance dos testes de tuberculina. Estes são observados em fases iniciais da infeção ou em condições de comprometimento do sistema imunitário, tais como, imunossupressão no periparto e estados de subnutrição. Segundo dados da Universidade de Michigan, de 100 animais testados, 15 apresentaram resultados falsos negativos. (Milkpoint.com.br, 2019)

Uma má execução e leitura dos testes também devem ser considerados e avaliados, sendo por isso importante que estes atos sejam realizados por Médicos Veterinários credenciados e capacitados para realizar e interpretar os resultados do teste.

A inspeção após o abate também é fundamental na identificação de animais positivos. No matadouro, os animais são cuidadosamente inspecionados pelo Médico Veterinário. Uma vez identificado um animal com lesões características, o Médico Veterinário Oficial desencadeia um estudo epidemiológico na propriedade de origem, podendo resultar na interdição de transporte de animais e sequestro da exploração. (Milkpoint.com.br, 2019)

 

Desta forma a tuberculose bovina não se refere a apenas um problema de saúde animal, mas também uma preocupação de saúde pública em geral, motivando a implementação  de campanhas que podem levar à erradicação desta doença. Estas campanhas traduzem-se num conjunto de medidas cuja aplicação decorre de modo permanente e coordenada e que tomam como suporte a deteção precoce dos animais infetados, e a consequente eliminação sob controlo oficial. (Dgv.min-agricultura.pt, 2019)

 

Tens mais curiosidade sobre este tema? Podes ver casos clínicos reais nos links abaixo:

 

Tuberculose em Gato – https://bmcvetres.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12917-018-1759-7

Tuberculose em Cão

 

 

Bibliografia utilizada:

Dgv.min-agricultura.pt. (2019). Direcao-Geral de Veterinaria – Conteudo. [online] Available at: http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?actualmenu=19058&generico=19042&cboui=19042

Ring, S., Purfield, D., et al (2019). Variance components for bovine tuberculosis infection and multi-breed genome-wide association analysis using imputed whole genome sequence data.

Pesciaroli, M., Alvarez, J., Boniotti, M., Cagiola, M., Di Marco, V., Marianelli, C., Pacciarini, M. and Pasquali, P. (2014). Tuberculosis in domestic animal species. Research in Veterinary Science, 97, pp.S78-S85.

 

Diouani, Mohamed Fethi (2018), Considérations sur la tuberculose humaine et bovine: Aspects épidémiologiques, physiopathologiques, diagnostiques et prophylactiques.

 

Oie.int. (2019). [online] Available at: http://www.oie.int/fileadmin/Home/fr/Media_Center/docs/pdf/Disease_cards/BOVINE-TB-FR.pdf?fbclid=IwAR1N1mRCGe9wnsgaT6rcrtNdUx3xW8pVKWaQklY8yn-claeS7NfLUBwRR4w

 

Milkpoint.com.br. (2019). Tuberculose bovina: considerações gerais sobre a doença | Produção | MilkPoint. [online] Available at: https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao/tuberculose-bovina-consideracoes-gerais-sobre-a-doenca-16732n.aspx?fbclid=IwAR1duoN62TUTEKNcORSZrryL0RO7Ws3Ov_bk8X9RmlBWqpGcvbZu4ht-3-k