A toxoplasmose é uma doença zoonótica provocada pela infecção por Toxoplasma gondii (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

São conhecidas quatro formas distintas do Toxoplasma gondii: os taquizoítos, formas de multiplicação rápida que podem ser encontrados nos tecidos orgânicos; bradizoítos, formas de multiplicação lenta que podem ser encontrados nos tecidos orgânicos ou em cistos teciduais; oocistos, que são libertados sob a forma não esporulada pelo hospedeiro definitivo; cistos teciduais,  estruturas que contém vários bradizoítos no seu interior (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

 

 

Os felídeos são o hospedeiro definitivo  e podem infectar-se através da ingestão de carne crua ou mal processada que contenham cistos teciduais ou taquizoítos (The Center for Food Security & Public Health, 2017) e normalmente esta forma de infeção está relacionado com os instintos de predador destes animais, uma vez que raramente a carne crua é providenciada pelos tutores.

 Esta é considerada a via de infecção mais comum no caso dos felídeos e outros carnívoros ou omnívoros, como o caso do Homem (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

Outra forma de infecção importante é através da ingestão de oocistos esporulados que possam estar presentes no meio ambiente como no solo, em vegetação ou na água, sendo esta mais comum no caso dos herbívoros (The Center for Food Security & Public Health, 2017).  Em algumas espécies como ovelhas, cabras e canídeos foi ainda demonstrada a possibilidade de transmissão venérea e através da placenta, da progenitora para os fetos (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

A infeção através da ingestão de leite contaminado é também possível uma vez que os taquizoítos têm a capacidade de resistir ao líquido gástrico e à digestão em si, principalmente quando misturados com leite (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

Normalmente a infecção por Toxoplasma gondii não provoca sintomatologia a não ser em casos de indivíduos imuno-incompetentes ou em grávidas(The Center for Food Security & Public Health, 2017).

No caso das grávidas que sejam soronegativas para a infecção por Toxoplasma gondii e caso ocorra infecção primária durante a gestação, podem ocorrer severas alterações congênitas neurológicas, auditivas e de visão no feto (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

 

Figure 1: Ciclo de vida doToxoplasma gondii (Fonte: CDC, disponível em: https://www.cdc.gov/parasites/toxoplasmosis/biology.html#)

Prevenção: 

A prevenção desta zoonose passa por vários aspectos importantes que devem ser tidos em conta. Em primeiro lugar é essencial que haja comunicação às entidades competentes caso exista alguma suspeita de infeção num animal e deverá ser realizado por um médico veterinário (The Center for Food Security & Public Health, 2017). 

Em casos de abortos, que ocorrem principalmente em hospedeiros intermediários, a placenta e os produtos de aborto devem ser removidos para diminuir a contaminação da área e está deverá ser devidamente limpa e desinfetada caso haja suspeita de aborto provocado pela infecção por T. gondii (The Center for Food Security & Public Health, 2017). 

Deverá ser ainda evitado o contato entre felídeos domésticos com outros animais tais como porcos, pequenos ruminantes ou outras espécies que sejam susceptíveis à infecção por T. gondii (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

Para evitar a infecção, os felídeos não deverão ser alimentados com carne crua ou mal processada e, caso seja possível, deverá ainda evitar-se que o animal tenha a possibilidade de caçar qualquer tipo de animal que possa ser hospedeiro intermediário do parasita tais como roedores ou aves (The Center for Food Security & Public Health, 2017).

Estudo realizado:

Um estudo realizado pela Universidade de Charles, na República Checa envolveu uma larga amostra que incluiu alunos da própria faculdade, de diferentes departamentos, militares, dadores de sangue, indivíduos que já tinham manifestado sintomatologia relacionada com a infecção por Toxoplasma gondii e grávidas que foram testadas para a infeção durante a sua gravidez (Flegr, 2007).

Neste estudo foram realizados vários questionários usados para avaliar comportamentos e personalidades e foram detectadas consistentes e significativas diferenças, nos 9 dos 11 testes realizados na totalidade, entre os resultados de indivíduos infectados e não infectados (Flegr, 2007).

Além disso, os resultados variam consoante o sexo do indivíduo, no caso dos homens, entende-se que os indivíduos infectados apresentavam uma menor consciência e menor percepção da realidade que o rodeia (Flegr, 2007). Além disso os indivíduos afetados aparentavam ser mais predispostos para desrespeitarem regras, ciumentos e dogmáticos (Flegr, 2007).

Por outro lado, no caso das mulheres, percebeu-se que quando infectadas, aparentam ser mais carinhosas, aventureiras, conscientes e moralistas (Flegr, 2007).

Quer homens ou mulheres infectados aparentam ser mais apreensivos comparativamente com indivíduos não infetados (Flegr, 2007).

Outros estudos realizados indicam que indivíduos infectados com Toxoplasma gondii têm mais tendência para uma diminuição da sua performance motora, como por exemplo a diminuição da resposta reflexa (Flegr, 2007). Esta diminuição da resposta reflexa acabou por se relacionar com a probabilidade mais elevada destes indivíduos infetados sofrerem um acidente de viação provocado pelos próprios (Flegr, 2007).

Estes estudos comprovam que, de alguma forma, a infecção por Toxoplasma gondii provoca alterações comportamentais, bem como diminuição da performance motora (Flegr, 2007). Estas alterações são consistentes com as alterações encontradas em roedores utilizados em estudos experimentais (Flegr, 2007).

Os roedores são considerados o hospedeiro intermediário do Toxoplasma gondii e acredita-se que as alterações comportamentais induzidas pela infecção por este parasita possam ser uma forma de aumentar a probabilidade deste hospedeiro ser posteriormente consumido por um felídeo, que é essencial para que o ciclo de vida deste parasita se complete (Flegr, 2007).

Contudo, mesmo após várias tentativas experimentais, ainda fica por explicar os mecanismos fisiológicos relacionados com estas alterações comportamentais (Flegr, 2007).

 

Bibliografia:

Flegr, Jaroslav. “Effects of Toxoplasma on Human Behavior.” Oxford University 33 (2007): 757–60.

 The Center for Food Security & Public Health: “Toxoplasmosis – Toxoplasma infection” January, 2017. Acedido a 27 de Julho de 2018 em: http://www.cfsph.iastate.edu/Factsheets/pdfs/toxoplasmosis.pdf