Bem-estar animal refere-se à qualidade de vida de animais silvestres, de produção pecuária, residentes em parques zoológicos, animais de experimentação e animais de companhia, tratando-se de um conceito que está a adquirir uma importância ética e económica crescente na sociedade (FAWC, 2009).

 

 

 

 

Este conceito deve representar um consenso entre cientistas e o público em geral e, com base nisto, o professor inglês John Webster sugeriu uma lista com “cinco liberdades” dos animais (Five Freedoms) divulgada pela Farm Animal Welfare Council (FAWC), do Reino Unido.

Estas “Five Freedoms”, baseiam-se na satisfação das necessidades básicas de bem-estar de qualquer animal, sendo elas:

  • Ausência de fome, sede e má nutrição;

  • Ausência de desconforto físico e térmico;

  • Ausência de dor, lesão ou doença;

  • Ausência de medo;

  • Oportunidade de expressar padrões de comportamento normais (FAWC, 2009).

 

Fig.1 – Cinco liberdades (https://vimeo.com/131528734)

 

Liberdade de fome e sede compreende o acesso adequado a água e alimentação onde o tutor deve ter em atenção a nutrição completa e adequada do seu animal de companhia mantendo sempre à sua disposição água fresca;

Liberdade de desconforto relaciona-se com o ambiente onde habita o animal. Este deve ser adequado às necessidades específicas da espécie e as suas condições de saúde, proporcionando área e enriquecimento ambiental suficientes. Compreende, por exemplo, abrigo e zonas de descanso adequadas, zonas de lazer;

Liberdade de dor, ferimentos ou doença é a conservação do bom estado de saúde podendo ser conseguido pela prevenção, como pela vacinação e desparasitação ou por terapêutica quando existe um problema de saúde;

Liberdade de medo ou stress refere-se à proteção da saúde psicológica e emocional do animal pois este não só deve ser protegido do sofrimento físico, como do sofrimento mental. Providência-se isto através de uma boa sociabilização, espaço adequado tanto a nível de dimensões como de enriquecimento, entre outros;

Liberdade para expressar comportamentos naturais entende-se pelo convívio  com os comportamentos naturais do animal e o seu incentivo através da criação de espaços onde se possa exprimir. As necessidades comportamentais poderão ser, por exemplo, o roer nos cães e arranhar nos gatos. (FAWC,2009)

Quando se menciona o bem-estar animal, para além das 5 liberdades, devemos pensar no conceito dos 3Rs lançado por Russel e Burch em 1959, isto é:

  • Redução (Reduction) do número de animais utilizados;

  • Substituição (Replacement) por outras alternativas sem animais;

  • Refinamento (Refinement), alterando protocolos de experiências para diminuição de dor e sofrimento.

 

A redução apresenta a ideia de se utilizar sempre o menor número de animais possível para um determinado objeto de investigação. Tal pode ser conseguido, por exemplo, com o desenvolvimento de técnicas genéticas que permitam criar uma descendência com menor variabilidade de respostas ( variam consoante a imunidade, características individuais, etc). Assim, a quantidade de animais necessários para atingir resultados confiáveis seria bastante menor.

Substituição remete para o uso de modelos alternativos de investigação, como por exemplo, a utilização de gatos ou ratos em vez de macacos ou de culturas de células em vez de modelos animais, ou ainda de  modelos computacionais. Desta forma é reduzido o uso de animais, dependendo do objetivo experimental.

Por fim, o refinamento leva ao aperfeiçoamento dos processos envolvidos na experimentação visando o fim, a redução do uso de animais e consequentemente a redução do seu sofrimento.. Por exemplo, podemos falar do aperfeiçoamento no emparelhamento genético em biotérios (de criação, manutenção etc) e de desenhos experimentais em si, das técnicas que possam proporcionar o menor nível de aversão possível como dor, stress, entre outros (Russel e Burch, 2005).

A profissão médico-veterinária desempenha um papel fundamental na garantia da saúde e do bem-estar dos animais, estando na formação de veterinários cada vez mais incluídos cursos sobre temas relevantes para o bem-estar animal.

Ao trabalharem em conjunto, agroindústrias, serviços veterinários e organizações não governamentais conseguem melhores resultados na melhoria do bem-estar animal (OIE, 2018).

 

Podes consultar mais em:

Farm animal welfare in Great Britain: past, present and future. (2009). London: FAWC, p.16.

http://www.oie.int/en/animal-welfar

https://vimeo.com/131528734

Russell, W. and Burch, R. (2005). The principles of humane experimental technique. [Baltimore, Md.]: Johns Hopkins Center for Alternatives to Animal Testing