A equinococose é uma parasitose importante em saúde pública uma vez que é considerada com uma zoonose e é causada aquando da infeção pelas formas larvares de cestodes do género Echinococcus(Almeida et al., 2008).

 

 

 

 

Patogenia

De forma a completar o seu ciclo biológico, este parasita necessita de dois hospedeiros. A forma adulta pode ser encontrada no intestino delgado do cão, que é considerado o hospedeiro definitivo e nas suas fezes são libertados segmentos ovígeros que contêm os ovos no seu interior enquanto as formas larvares afetam os herbívoros e, acidentalmente, o homem, sendo estes considerados hospedeiros intermediários (Machado et al, 2018). Nos hospedeiros intermediários as formas larvares desenvolvem-se em várias vísceras, nomeadamente fígado e pulmão (Machado et al, 2018). Após a ingestão de alimento contaminada por segmentos ovígeros, a larva liberta-se do ovo e penetra no sistema vascular ou linfático do hospedeiro intermediário, alcançando assim órgãos como o fígado, os pulmões e outros órgãos, levando ao desenvolvimento de quistos hidáticos nestes designados anteriormente (Almeida et al., 2008).O hospedeiro definitivo infeta-se pela ingestão de vísceras infetadas com as formas larvares de E. granulosus (Almeidaet al., 2008).

O homem poderá ser também hospedeiro intermediário, no entanto, é caracterizado como sendo um hospedeiro acidental. O homem pode se infetar de várias formas: através da má higienização das mãos, que poderão estar contaminadas com ovos do parasita, bem como através da ingestão de alimentos ou água contaminados por estes ovos expulsos do hospedeiro definitivo através das fezes (Almeida et al., 2008).

Resumindo, a infeção no homem ocorre maioritariamente quando existe uma deficiente higiene (Almeida et al., 2008).

 

Efeitos da infeção por E. granulosus

A equinococose provoca alguns efeitos diretos a nível económico nomeadamente na inviabilização dos órgãos afetados para consumo humano, levando a graves perdas económicas. Em caso de infeções maciças, toda a carcaça poderá ser rejeitada, levado a prejuízos económicos ainda mais elevados. A equinococose leva ainda, de forma indireta, à diminuição de fatores de produção tais como: índice de conversão, o ganho médio diário, produção diária de leite e fertilidade. Esta parasitose apresenta uma elevada importância não só pelas perdas económicas associadas, mas, principalmente, pela infeção acidental do homem (Almeida et al., 2008).

 

Epidemiologia

Em Portugal continua a ser registado a ocorrência de quistos hidáticos em hospedeiros intermediários, nomeadamente ovelhas ou em bovinos. Além disso, O E.granulosusé endémico em Portugal, sendo um elevado risco para a saúde pública visto de se tratar de uma importante zoonose. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera Portugal endémico para a hidatidose, com uma incidência nacional estimada de 2,2 casos/100000 habitantes (Mateus, 2015). David de Morais (2007) caracterizou Évora como sendo um distrito hiperendémico para hidatiose, classificando-se uma região como hiperendémica quanto se obtêm uma incidência de pelo menos 10 casos/100000 habitantes por ano. A hidatidose é considerada uma doença de declaração obrigatória pela DGAV (DGAV, 2015).

 

Sinais clínicos:

No hospedeiro definitivo temos maioritariamente sintomatologia intestinal associada à presença das formas adultas no intestino delgado tal como: desidratação, diarreia, dor abdominal, hematoquésia, etc. No hospedeiro intermediário a sintomatologia vai variar consoante o órgão afetado, existindo assim uma panóplia de sintomas associados a esta parasitose tais como: dispneia, icterícia, desconforto e dor abdominal, hipertermia, anemia, etc, podendo ainda levar a reações de hipersensibilidade devido à rutura dos quistos hidáticos e à libertação do líquido contido no seu interior, que uma vez na circulação sanguínea, pode desencadear crises alérgicas e choque anafilático. (Almeida et al., 2008).

 

Diagnóstico:

O diagnóstico de infeção nos cães pelas formas adultas é difícil uma vez que os segmentos ovígeros libertados nas fezes são muito pequenos e são eliminados de forma intermitente e escassamente (Almeida et al., 2008).

Nos herbívoros, o diagnóstico de infeção por E. granulosus pode ser conseguido ao nível do matadouro, uma vez que é possível, na maioria dos casos, identificar os quistos hidáticos aderidos a órgãos como os pulmões, fígado, rim ou cérebro (Almeida et al., 2008).

No homem é possível diagnosticar a infeção por hidatidose através do teste de Casoni, que se caracteriza por uma reação urticariforme eritematosa da pele, que surge normalmente após uma injeção intradérmica de antigénios contidos no fluído hidático (Almeida et al., 2008). Pode ser ainda realizada a confirmação através de radiografia, ecografia ou tomografia computorizada (Almeida et al., 2008).

 

Tratamento:

O praziquantel é considerada o fármaco de eleição no tratamento desta parasitose (Almeida et al., 2008). O praziquantel é absorvido, metabolizado e excretado na bílis, apresentando uma baixa toxicidade. A administração de praziquantel deve ser realizada idealmente de 5 a 6 semanas em caso de animais que sejam propícios a nova infeção, pois o tempo de maturação do parasita no intestino é de aproximadamente 6 semanas. No caso dos cães cuja probabilidade de infeção é diminuta, a desparasitação com praziquantel pode ser realizada de 3 em 3 meses.

Profilaxia:

A profilaxia é um fator importante que pode levar à diminuição da prevalência desta parasitose. No caso do hospedeiro definitivo (o cão), devemos implementar algumas medidas tais como:

1.     Não fornecer carne crua ou vísceras aos cães, apenas se processada termicamente.

2.     Devem ser destruídas todas as vísceras de animais abatidos em ambiente fora de matadouro.

3.     Recolher sempre as fezes dos cães e, em caso de tratamentos com desparasitastes, as fezes devem ser destruídas até 48 horas após a desparasitação.

4.     Devem ser fomentados hábitos de higiene humana, sendo importante lavar sempre as mãos sempre que se mantiver contacto com animais e é importante também lavar sempre os alimentos antes de os ingerir.

5.     Promoção de campanhas de sensibilização em escolas, centros de saúde e outras instituições de ensino e saúde.

6.     Vacinar anualmente os ruminantes jovens contra a doença e promover o abate precoce destes animais e em ambiente controlado, como matadouros.

7.     Desparasitação dos canídeos domésticos

8.     Desenvolvimento de programas intensivos de recolha de cães abandonados.

9.     Monitorização a nível de matadouro de possíveis carcaças infetadas com E.granulosuse ainda de canídeos sujeitos a necropsia, de forma a obter dados para estudos epidemiológicos.

Podes encontrar mais em: 

 

1.    Almeida, F., Spigolon, Z., e Negrão, A. J. «Echinococcus granulosus». Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, n. 11 (Julho de 2008): 6.

2.    Machado, E., MAP Conceição, IMH Costa, JJ Gaspar, RPR Costa, e JMJ Costa. «Tracing Echinococcosis in Portugal – The Role of the Abattoirs in North Douro Region». Journal of Veterinary Science & Animal Husbandry, 2018.

3.    Mateus, T. «Contribuição para o estudo da equinococose-hidatidose na população animal em Portugal. Caracterização dos genótipos e avaliação epidemiológica.» Universidade do Porto, 2015.